"Sou seu admirador sincero desde que se lançou na campanha eleitoral e, neste canto europeu, comecei a ler e a ouvir falar de si. Admiro o seu humanismo, a sua cultura, a sua coragem e o seu estilo. Não sou crente como o Presidente. Sou agnóstico e tenho alguma experiência de vida política. Mas disse a muitos amigos – e escrevi - que a sua vitória eleitoral constituiu um autêntico milagre na América e para o Mundo. Embora não acredite em milagres...
(...)
O segundo motivo de desagrado foi a maneira como o Senhor Presidente se comportou na frustrada Cimeira de Copenhaga. Passou por cima das Nações Unidas, ignorou a União Europeia, como um todo, onde conta aliados – e uma opinião pública que lhe é, na sua maioria, entusiasticamente fiel – embora muitos dos seus governantes só o apoiem em palavras - e entendeu-se, fundamentalmente, com a China, que não aceita ser fiscalizada et pour cause, chamando alguns outros Estados entre os quais o Brasil (e ficámos encantados, nós portugueses) talvez não só para animar a fotografia... O seu discurso, permita-me que lhe diga, Senhor Presidente, foi dos mais apagados e tristes, que fez até hoje. Só fixei uma frase: “Não vim aqui para falar mas para agir”. É isso mesmo. Em matéria ambiental, o tempo urge e é preciso agir. Precisamos de lutar contra os atentados humanos e egoístas que ameaçam o nosso Planeta. Para que a Humanidade possa sobreviver. Há algum motivo mais importante e urgente do que esse? "

Carta aberta de Mário Soares a Barack Obama.
Uma leitura simples mas de modo algum básica - Mário Soares de forma bastante lúcida, depois do elogio, denuncia as primeiras grandes desilusões da era Obama.
A carta pode ser encontrada aqui.

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